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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Uma confissão: Estranhezas.




Seria estranho dizer que toda loira tem inteligência afetada e que lhe faltam neurônios. Que todos os fortões e alienados por academia e toda aquela definição de corpo não tenham cérebro. Seria estanho dizer que os pássaros não cantam quando estão tristes e que o dia não é legal quando só chove. Seria estranho dizer que a saudade só vem fazer companhia quando a gente tá no canto, sozinho, pensando em poucas e vagas coisas. - E, cá entre nos, comigo isso frequentemente acontece - Seria estranho dizer que pequenas não constroem grandes coisas. É aos olhos cegos que o amor consegue suspirar na sacada. Consegue proteger nas tempestades. Que não larga, não solta, não cai e nem quebra. Não é qualquer um que vê. Não é. É aos olhos cegos que o amor consegue aparecer e enxergar. Amor, é enxergar além. E enxergar além custa caro. Às vezes custa uma partida de rasgada, onde normalmente somente um, consegue sair inteiro. Seria estranho dizer que todo homem é pilantra, cretino, idiota e que nunca faltou a aula de como-pular-a-cerca-com-categoria-sem-que-elas-percebam. Seria estranho pensar que toda mulher seja frágil e que todo homem seja completamente um ogro. Às vezes o papel se inverte. O interessante é a estranheza das coisas, dos sonhos, das pessoas, dos lugares, das palavras. A estranheza dos olhares quando entrelaçam e as mãos negociam uma pose com o sorriso que faça a alma se sentir firme, confiante e eternamente feliz. Será? Será que ela vai mudar o comportamento depois de três anos? Será que ele vai ser um idiota antes de 14 meses? Ou será que ela vai jogar minhas coisas fora depois dos quatro anos? Será que ele vai aguentar minhas crises? Será que ela vai aturar meus desastres? Será uma calmaria em tempestade? Será? Será? Será? É estranho esse estranheza do amor e a felicidade. A estranheza de sentir, sem fome, um sossêgo por dentro. De sentir saudade, de querer, querer, querer sem querer. De acelerar o coração sem ter que aumentar a potência de onde sentimentos chegam e saem. E saem e chegam. E ficam. E se misturam. Essa estranheza que o corpo tem em desmoronar no sufoco e a obrigação que o coração tem em respirar tristeza e suspirar tranquilidade. A estranheza do contrario. Das ídeias, dos avessos, dos diversos e pricipalmente das constantes contradições. Em nota, seria estranho dizer que o amor de forma alguma não fosse estranho. É estranho. Ele chega, tudo bem. Ele entra, tudo bem. Ele fica e... tá tudo bem. Ele muda, tudo quase bem. Ele vai embora e... eu não queria mesmo, ele era estranho, tinha os dentes tortos e eu odiava a camisa cor-de-abacate que ele usava com a gravata rosa-choque. Literalmente sentia um choque, mas eu amava quando você admitia com estranheza: ''É tudo estranho, acho que essa gravata não combina com essa blusa, tá estranho! Estou me sentindo idiota, um completo idiota.'' Sabe, meu rosto quase gritava: Voce é um C.O.M.P.L.E.T.O idiota. Mas desnecessariamente você insistia em dizer: ''Me sinto estranho, sabe porquê?'' - Por conta da gravata rosa com a camisa brega? ''- Não não! Me sinto estranho em sentir o que sinto aqui dentro que me faz esquecer as combinações da vida, das roupas. Que me esquece às vezes e que só lembra em combinar com você. E que constantemente te lembra.''

Você sempre soube. Sempre soube dos versos, do que queria e do que sempre esperava. Um beijo não era suficiente. O suficiente era amor! Sentir! Porque amor é sentir, é querer, é ter. Primeiramente, ter. Depois querer e só assim sentir. Se não, nem rola. É barco furado e ninguém gosta de viver em barco furado. As cores ficam verdadeiramente bregas.

- Tipo, tô começando a curtir sua gravata e sua blusa. Ela tem lindos botões. Seria estranho não resolver essa estranheza em amar constantemente e esquecer, e lembrar, e esquecer de novo. Essa estranheza constante em lembrar, só me resta amar.


Por: Iandê Albuquerque, ''Uma confissão: Estranhezas''

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